121 anos da assinatura da Lei Áurea e 509 anos de racismo e exploração

O dia treze de maio de 1888 é a data oficial do fim da escravidão no Brasil. A história oficial exalta o ato da Princesa Isabel ao assinar a Lei Áurea, ao mesmo tempo em que procura esvaziar a luta e a resistência da população negra contra a escravidão. Além disso, os discursos hegemônicos tentam esconder a realidade do racismo e da exploração após a abolição formal da escravatura.

A grande verdade é que a assinatura da Lei Áurea não significou o fim do racismo e da exploração aos quais a população negra é submetida no Brasil. Passados 121 anos da abolição formal da escravatura, a população descendente de ex-escravos sofre com discriminação racial, com o desemprego, a miséria e a violência policial.

Diante desse quadro de miséria e racismo, a reorganização do movimento negro brasileiro no final dos anos setenta, movido pela luta contra a Ditadura Militar e pela descolonização da África, apontou para a construção de um movimento classista e combativo, em que a população negra assume o protagonismo nas lutas contra o racismo e a exploração.

O movimento negro elegeu o dia vinte de novembro como o verdadeiro marco da luta contra o regime escravista e contra o racismo, porque remete à resistência negra liderada por Zumbi dos Palmares. A lembrança do líder quilombola rompe com a visão dominante de que a população negra aceitou passivamente a escravidão e que a abolição foi um ato de magnitude da princesa branca. Zumbi simboliza protagonismo da população na luta contra o racismo e a exploração.

Hoje identificamos a reprodução da discriminação racial em várias estatísticas sócio-econômicas: o salário médio de um trabalhador branco é praticamente o dobro do salário de um trabalhador negro, e a taxa de homicídios por 100 mil habitantes para a população negra é de 46,3 (1,9 vez a dos brancos). Por isso, afirmamos que a abolição teve um aspecto apenas formal e que está na ordem do dia a luta contra opressão e a exploração da população negra e trabalhadora do Brasil.

[Texto produzido pelo GT Raça, etnia, super-exploração e mulheres]

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