No dia 17 de junho, cerca de 4 mil servidores públicos de todo o país realizaram uma grande manifestação na Esplanada dos Ministérios contra o PLP 92/2007 , que cria as Fundações Estatais de Direito Público ou Privado em diversas áreas do serviço público. O projeto, que permite contratação de servidores públicos pelo regime da CLT para essas fundações, estava pautado naquele dia para apreciação pelo plenário da Câmara dos Deputados. Com o sucesso da mobilização, houve um acordo de lideranças para que a votação fosse provisoriamente suspensa.
Na ocasião, o Fórum Nacional de Luta contra o PLP 92/07, formado pelas entidades que compõem a CNESF (Coordenação Nacional das Entidades de Servidores Públicos Federais), promoveu um ato público no Auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, ao qual diversos deputados compareceram para declarar seu apoio à luta contra o projeto. Foi entregue ao Presidente do Congresso Nacional, Michel Temer, um documento exigindo o arquivamento do PLP por sua flagrante inconstitucionalidade ao permitir contratação de servidores pela CLT. A utilização desse regime no serviço público já foi vedada anteriormente pelo STF na ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) 2135, acolhida parcialmente quando o tribunal examinou a alteração no artigo 37 da Constituição Federal. O próximo passo do Fórum Nacional de Luta é conseguir uma audiência com o Presidente do STF, Ministro Gilmar Mendes, para tentar o barrar o projeto.
As áreas atingidas diretamente pela criação dessas fundações são saúde (inclusive hospitais universitários), assistência social, cultura, desporto, ciência e tecnologia, meio ambiente, previdência complementar do servidor público, comunicação social e “promoção do turismo nacional”. As diversas entidades de servidores públicos envolvidas na luta contra o PLP 92/07, entre elas o SINASEFE, denunciam que essas fundações, cuja natureza jurídica se definiria a cada caso (direito público ou privado), seriam uma forma de efetiva privatização do serviço público exatamente nas áreas de atendimento direto à população. O interesse econômico do projeto se mostra ainda mais evidente quando se decide entregar a previdência complementar do servidor público, de que trata a Constituição no artigo 40, parágrafos 14 (emenda 20, de 1998) e 15 (emenda 41, de 2003), a essas fundações.
É importante ressaltar que o PLP 92/2007 ainda está em pauta no Congresso e que a mobilização das entidades do Fórum criado na CNESF deve se ampliar, até que ele seja efetivamente arquivado.
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